Editorial do Correio do Estado: ‘Mais atenção ao Pantanal’

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Rio Taquari – Coxim, MS – Assoreamento

1 FEV 2018

Para preservar o Pantanal é preciso entendê-lo e, a partir disso, agir. O primeiro ato neste sentido é despertar a consciência de todos. 

Por causa da abrangência do tema, o meio ambiente sempre teve um ar paradoxal para todos. É algo presente, muito perto mesmo; mas, ao mesmo tempo, distante. A preocupação com a preservação do Planeta Terra e seus ecossistemas conta ainda com estas mesmas características. Ela é próxima, intensa e, simultaneamente, dispersa e tênue.

A degradação do meio ambiente e a alteração do clima e das vegetações, além das mudanças físicas e visíveis, também podem ser medidas pelo tempo.

É conforme o intervalo em que analisamos as mudanças que enxergamos a intensidade delas e seus efeitos. É por causa destas variáveis que muitos, por exemplo, discordam de algumas mudanças climáticas cientificamente comprovadas, como o aquecimento global, ou das consequências no regime de chuvas causadas pela devastação das florestas.

São mais sensíveis às mudanças do clima os que estão diretamente conectados com a natureza. No ambiente urbano, em meio à selva de concreto e asfalto, fica difícil perceber que o meio em que vivemos está se transformando (nem sempre para melhor).

Em reportagem publicada ontem, pantaneiros – nascidos e criados neste único ecossistema – e ambientalistas deram o alerta: o Pantanal poderá receber uma supercheia até o mês de junho, e os motivos deste fenômeno (em que pese ser algo cíclico) estão diretamente relacionados às profundas alterações no clima e às consequências da atuação humana no solo e na vegetação.

Os rios pantaneiros estão cada vez mais assoreados. O Taquari é o maior exemplo deles. Este importante curso d’água da Bacia Pantaneira teve seu leito alterado nos últimos anos.

Profundo em um passado não muito distante, hoje é possível caminhar por suas águas sem submergir. Quando cheio, em períodos chuvosos como o atual, por causa de sua rasa calha, a água se expande e provoca incalculáveis e imprevisíveis cheias.

Ambientalistas alertam que mudanças como estas no Taquari poderão se estender a outros rios. Eles também se preocupam com a maior intensidade das chuvas no Pantanal.

Apesar de o volume de precipitação continuar o mesmo, nas últimas décadas, a alternância de dias secos e chuvosos passou a ser menor. Em um ecossistema acostumado com chuvas leves, temporais de mais de 100 milímetros por dia (despejados em poucas horas) têm sido a causa de enchentes fora de época.

O Pantanal não perderá suas características de hoje para amanhã, ou deste ano para o próximo. Mas poderá ser profundamente alterado em uma época não muito distante, se não houver um olhar mais cuidadoso de todos. Para preservar este ecossistema é preciso entendê-lo e, a partir disso, agir. O primeiro ato, que cabe a todos, é sermos mais conscientes.

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