“Esconde-Esconde: Índios isolados na floresta amazônica”

índios na amazônia

Há alguns anos, minha amiga Renata Terra me falou sobre Pakyî e Tamandua, dois indígenas nômades que sobrevivem cercados por fazendas, queimadas e madeireiros na terra indígena Piripkura, ainda protegida, no meio da floresta amazônica. Moram na mata, apenas os dois, depois de o resto do grupo ter sido extinguido por todos os tipos de violência. Renata se preocupa porque, só enquanto eles estiverem vivos, seu território tem garantia de proteção. Mas de quem é o interesse de que eles permaneçam vivos?

Apesar das crescentes invasões, desmatamentos e ameaças, a Funai e algumas ONGs lutam para garantir a proteção da área. E próximo aos Piripkuras, Jair Candor, chefe da frente de proteção responsável pela área, trava batalhas diárias há 30 anos para conquistar o direito de Pakyî e Tamandua existirem como acreditam. A dupla sabe que, ao mesmo tempo em que deve se esconder de alguns homens brancos, podem confiar em Jair.

“Como eles são”, pergunto. Ela diz que o corpo deles lembra uma árvore: pernas fortes como um tronco, torso e brações delicados como folhas ao vento. Talvez por isso sejam conhecidos como o povo borboleta. Por fascínio e respeito a essa outra forma de viver, Renata se uniu a Mariana Oliva e Bruno Jorge para fazerem o documentário Piripkura, lançado em 2017. A produção recebeu o prêmio de melhor documentário do júri do Festival do Rio e o de direitos humanos do International Documentary Filmfestival Amsterdam (IDFA) – o mais significativo.

Há anos não assistia a uma história tão comovente, original e cheia de profundezas. Atualmente, são 113 registros de grupos indígenas isolados na Amazônia – 27 confirmados – e apenas 11 frentes de proteção para monitorar e protegê-los. Enquanto escrevo, durante uma viagem de avião, penso em Pakyî e Tamandua lá embaixo, vivendo de uma forma tão diferente. Penso também em Renata, Marina e Bruno. Eles esperam que o filme estimule a discussão sobre o direito desses povos de existirem em paz no território que  território que sempre foi deles. Eu também. autora

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