A queda de um gigante

JBSJornal ‘O Estado MS’

18/10/2017

Editorial

O preço de uma política pública feita sem responsabilidade é o que assombra a base de 15 mil colaboradores da JBS em Mato Grosso do Sul. Eles fazem parte de uma cadeia produtiva com o envolvimento de mais 60 mil outros trabalhadores ligados de forma indireta a essa companhia. A empresa, que já foi responsável por 80% do capital da holding J&F Empreendimentos, cresceu de forma desordenada nos últimos 12 anos, na base do apoio sem critério do dinheiro público e esperava ser longeva nessa condição, a partir de agraciamentos à classe política. A Operação Lava Jato esfacelou esse propósito.

jbs2A questão em si não é a queda de um gigante, nem tão somente o reflexo da profunda revisão que o fomento deve passar no país, depois de o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ter sido responsável pela ampliação de 3.400% do faturamento da JBS, agora presente em 150 países, com suas 400 unidades de produção. O dinheiro público criou um monstro que se tornou o próprio mercado de carnes no Brasil e em parte do mundo, de forma que implementou a si o “caráter de insubstituível”.

Qualquer desabamento de uma organização assim oferece à economia dificuldade extrema para o ajuste de empregabilidade no setor, e essa condição beneficia os infratores que ignoraram acordos de subvenção fiscal e admitem isso. Por isso deve fazer parte da guerra jurídica, junto com os bloqueios de bens da JBS, o revide da companhia em atrasos de salário ou ondas de demissão.

Portanto, a garantia da CPI das Irregularidades Fiscais, da Assembleia Legislativa, de que nada aconteceria pós-arresto é uma previsão política. E previsões dessa área duram como as nuvens.

*A charge acima é de Marcos Borges no jornal ‘O Estado’ de hoje (18/10/2017), e a foto supimpa é de Saul Schramm! http://www.OE10.com.br

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