Manoel de Barros: Seis ou treze coisas que eu aprendi sozinho

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1.

Gravata de urubu não tem cor.

Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.

Luar em cima de casa exorta cachorro.

Em perna de mosca salobra as águas cristalizam.

Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.

Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.

No osso da fala dos loucos há lírios.

[…]

13.

Seu França não presta pra nada —

Só pra tocar violão.

De beber água no chapéu, as formigas já sabem quem ele é.

Não presta pra nada.

Mesmo que dizer:

—Povo que gosta de resto de sopa é mosca.

Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.

De ser o nada desenvolvido.

E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.

*****

*Do livro: Meu quintal é maior do que o mundo (Antologia)

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