Aquífero Guarani / Mato Grosso do Sul é considerado o Estado com maior reserva de água doce do planeta

pantanal0Pantanal sul-mato-grossense é visto como a maior planície de inundação do planeta, de acordo com o site Brasil Escola. (Foto: Valentin Manieri).

Segundo pesquisador, Aquífero Guarani poderia abastecer população de todo o mundo com água durante décadas

Alana Regina* / Jornal ‘O Estado’

Conhecido como uma das maiores reservas subterrânea de água doce do planeta, o Aquífero Guarani de Mato Grosso do Sul poderia abastecer o mundo com água potável por décadas, diz o geólogo Gustavo Amorim. Segundo ele, o Brasil possui um grande potencial de armazenamento de água subterrânea e, entre as 27 unidades federativas do país, o lençol freático sul-mato-grossense tem sua importância reconhecida mundialmente.

“O Estado faz parte de um seleto grupo de Estados brasileiros que possuem no seu subsolo um lençol freático com reconhecida importância mundial e que poderia abastecer o mundo com água potável por décadas”, disse Amorim.

Segundo dados atuais divulgados pela ANA (Agência Nacional de Águas), do FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), entre os segmentos que mais utilizam a água está o setor agrícola, com cerca de 70% do montante de água produzida.

“Especificamente no Brasil, cerca de 72% das vazões consumidas iriam para a agricultura –em especial a irrigada–, 16% matam a sede dos rebanhos, 9% são distribuídas pelas cidades e 3% abastecem as áreas rurais”, informou o geólogo.

Mesmo Mato Grosso do Sul sendo privilegiado com o aquífero, é importante manter os cuidados com o recurso que alimenta milhares de pessoas. Gustavo Amorim explica que a fonte de contaminação mais problemática é a urbana, ou os resíduos sólidos urbanos, que são uma mistura de rejeitos de materiais de procedência doméstica, industrial, do comércio ou dos serviços. Segundo ele, para minimizar os efeitos é preciso realizar a prevenção da poluição e da produção de resíduos sólidos.

“As formas para isso é modificação de processos industriais no sentido da não utilização de químicos perigosos, menor utilização de produtos perigosos, redução de embalagens e materiais usados em objetos, fabricação de produtos com maior durabilidade e que sejam recicláveis, reutilizáveis ou de fácil reparação etc.”, contou.

O lençol freático na prevenção da contaminação do aquífero no Estado Os especialistas em águas subterrâneas e professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Sandra Gabas e Giancarlo Lástoria, salientam a importância do lençol freático para a prevenção da contaminação do Aquífero Guarani, de Mato Grosso do Sul. “O topo do lençol freático define a espessura da zona não saturada, que é fundamentalmente a camada protetora dos aquíferos contra a possível contaminação proveniente de ações antrópicas que se desenvolvam no uso e na ocupação do solo.”

De acordo com eles, o lençol freático é o horizonte que separa a zona não saturada da zona saturada do terreno. Ou seja, abaixo do lençol freático todos os espaços vazios estão preenchidos com água. Essas águas, por sua vez, são definidas como água subterrânea. “O Estado possui importante reserva do manancial subterrâneo, distribuída em oito diferentes sistemas aquíferos”, destacaram.

Sobre os cuidados com o lençol freático, os profissionais explicam. “A atenção está associada à sua maior vulnerabilidade quanto à contaminação antrópica”. Embora em áreas rurais exista a possibilidade de sua contaminação por fontes difusas, nas áreas urbanas existe a maior probabilidade de sua contaminação, pelo fato de existirem muito mais focos (fossas, aterros, cemitérios, postos de combustíveis, entre outros), quando não instalados e construídos de acordo com as normas técnicas vigentes.

Sandra e Giancarlo ainda contaram que uma pesquisa em andamento no campus da UFMS vem monitorando a variação do nível do lençol nos últimos quatro anos e indicou uma amplitude máxima de variação do nível mais baixo ao nível mais alto da ordem de pouco mais de três metros.

“É muito importante salientar que, embora as águas subterrâneas não sejam visíveis como as águas superficiais no Estado, o lençol freático é quem alimenta a vazão dos rios, nos períodos de estiagem mais prolongada. Isso garante que os rios não sequem, como ocorre, por exemplo, em grande parte da Região Nordeste do Brasil”, declararam os professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

*Ver reportagem completa de Alana Regina no Caderno Especial cidades@oestadoms.com.br, na edição de hoje do jornal “O Estado MS”.

 

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