ROTA DA INTEGRAÇÃO: Expedição vai averiguar trajeto do Corredor Bioceânico e estruturas dos portos Corredor ligará portos do Oceano Pacífico aos portos do Atlântico

expedicao-rilajpgExpedição percorrerá 2.220 quilômetros da Rota Bioceânica – Foto: Divulgação

22 AGO 2017

Por GLAUCEA VACCARI / Correio do Estado

Comitiva composta por empresários e autoridades deve percorrer 2.220 quilômetros a partir desta sexta-feira (25), na II Expedição da Rota de Integração Latino-Americana (Rila), com destino aos portos do Pacífico, no Chile. Objetivo é averiguar in loco o trajeto do Corredor Bioceânico e as estruturas dos portos para as exportações de grãos e celulose.

O Corredor Rodoviário Bioceânico compreende as cidades brasileiras de Campo Grande e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul; Carmelo Peralta, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, no Paraguai; Misión La Paz, Tartagal, Jujuy e Salta, na Argentina; e Mejillones, em Iquique, no Chile.

O Corredor ligará os portos do Oceano Pacífico aos portos do Atlântico e é uma rota alternativa para escoar a produção agropecuária e industrial do Estado, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog/MS), Cláudio Cavol, que está à frente da expedição.

Com a utilização da via, a comercialização internacional de grãos poderá atingir 135 milhões de toneladas e a saída pelo Oceano Pacífico reduzirá em cerca de 11 mil quilômetros de rota marítima o percurso feito atualmente pelo Oceano Atlântico rumo ao mercado asiático.

Segundo Cavol, esse ganho de tempo representa seis dias a menos de viagem, que atualmente leva em média 14 dias para cobrir os cerca de 19 mil quilômetros até a Ásia.

INVESTIMENTOS

Para discutir os investimentos necessários para viabilizar o corredor, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mocchi (PMDB), se reuniu hoje com o embaixador do Brasil no Paraguai, Carlos Alberto Simas Magalhães.

Para a ponte que liga os dois países são necessários investimentos federais. “Em Mato Grosso do Sul, a rota passará por Campo Grande e Porto Murtinho ao Porto em Carmelo Peralta, no Paraguai. Por isso, queremos o apoio dos parlamentares do Estado nesse projeto de integração que necessita de 50% no valor da obra, cerca de R$ 65 milhões para conclusão”, explicou Simas.

Em Brasília, nesta semana, o presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, afirmaram a disposição em apoiar investimentos para o Corredor Rodoviário Bioceânico. Projeto de decreto legislativo que prevê acordo entre os governos dos países tramita na Câmara dos Deputados.

TRAJETO

A rota que passa por Porto Murtinho foi definida depois a I Expedição da Rila, em 2013, e de outras três viagens de prospecção em que foram mapeadas as possíveis rotas, por ser a “mais barata e que atende às necessidades técnicas para atingir os portos do Chile”, segundo Cavol.

As tratativas internacionais junto ao Paraguai, Argentina e Chile que farão parte desse trajeto estão em andamento. Segundo o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miglioli, as obras do lado paraguaio já foram licitadas.

“Dos 550 quilômetros no Paraguai, que representa hoje o maior problema, tivemos a informação que o primeiro lote de 278 quilômetros já foi licitado e os 100 quilômetros dentro da Argentina, já estão em fase de conclusão”, explica o secretário.

Já a ponte binacional sobre o rio Paraguai, que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta (PY) será construída com 50% de recursos brasileiros e 50% de recursos paraguaios e aguarda o aval do Congresso Nacional. A obra foi orçada em R$ 116 milhões.

A expedição será formada por 30 caminhonetes Amarok, que deixarão Campo Grande no dia 25 de agosto, com retorno previsto em 3 de setembro.

Para o prefeito de Murtinho, Derlei Delevatti (PSDB), essa viagem composta de empresários do setor de transporte rodoviário significa que a região de Murtinho e Carmelo Peralta é viável para escoar a produção do Centro-Oeste brasileiro, além de desenvolver todo o trecho por onde futuramente se escoará a produção.

“Sem dúvida nenhuma que nós que moramos nesta região seremos os mais beneficiados, atraindo investimentos privados para o lado brasileiro e paraguaio”, diz Delevatti.

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