Landes Pereira: “Qual é a pior situação?”

SANTINHO_TIRIRICA

Landes Pereira* / Jornal “O Estado MS”

17/07/2017

O deputado Tiririca deveria ser processado por propaganda enganosa. Ele garantia aos seus eleitores que pior do que estava não podia ficar. As coisas pioraram, e muito, depois da primeira eleição desse nobre deputado. Nos dias atuais, os grotescos espetáculos presenciados no Congresso Nacional, as baixarias explícitas e as grosseiras artimanhas para se tirar vantagens nas votações demonstram que a tendência é piorar cada vez mais.

Michel Temer não quer sair e Rodrigo Maia sonha em ser presidente, mesmo que temporariamente. A briga é dissimulada, mas existe. Frente a esse quadro, atônito e descrente, o povo brasileiro se pergunta: qual é o pior? Rodrigo Maia (que não conseguiu ser prefeito do Rio de Janeiro), Michel Temer (o vice de Dilma Rousseff) ou deixar tudo como está para ver como ficará? Nem mesmo os sábios “cientistas políticos” da Rede Globo têm resposta para esse enigma que suas excelências, os parlamentares, terão de decifrar ainda este ano.

Os banqueiros internacionais (e os nacionais também) já avisaram: mudem o que quiserem mudar, só não podem mudar a equipe econômica liderada pelo ministro Henrique Meirelles (ex-deputado federal pelo PSDB, ex-diretor do Banco de Boston, ex-presidente do Banco Central e ex-presidente do Conselho de Administração da J&F). Assim sendo, poderá ou não haver mudanças, contanto que tudo permaneça como agora está, com exceção das leis trabalhistas e do sistema previdenciário que devem ser alteradas. Também no poder militar não se mexe.

O povo brasileiro já se acostumou com essa linha de raciocínio e considera tudo natural, incluindo a corrupção endêmica que assola o país. Aconteça o que acontecer, os velhos “caciques” continuarão disputando eleições e se reelegendo para perpetuação dos privilégios familiares e das facções partidárias. A roda do poder gira e gira, mas os grupos dominantes permanecem os mesmos.

As ‘maracutaias’ orçamentárias são grotescas, mas servem de instrumentos para a manutenção do status quo presidencial e de seus aliados. Os parlamentares se locupletam com as tais emendas, enquanto os programas básicos como educação, saúde e segurança são dilapidados impiedosamente. A criminalidade corrompe o caráter nacional porque a população começa a raciocinar dizendo: se os políticos fazem o que fazem e ficam impunes, por que eu não faria também? A violência, física e moral, aumenta de forma espiralada e caminha-se para o caos ético.

Qual é o exemplo que os governantes dão para as crianças e para os jovens? Qual a qualidade dos educadores que trabalham nas piores condições imagináveis, com salários irrisórios e sem receberem em dia? O desemprego é enorme e o nível de renda é muito baixo. Que sistema econômico resiste a tal depredação? O setor primário ainda é a salvação do PIB, mas a pecuária foi desestruturada pelos irmãos Batistas, da J&F e seus amigos (alguns negam serem amigos apesar das propinas recebidas).

A renovação política, pela lógica da racionalidade eleitoral, deveria começar pelas câmaras de vereadores. Mas, ao que parece, os novos parlamentares municipais, a cada eleição, se apresenta pior que a anterior, o que vai se refletir nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. O Senado é o órgão que pior estrutura apresenta porque acumula tudo o que há de pior em matéria de política, a começar pela existência dos tais suplentes.

Pindorama, o paraíso perdido, coração do mundo (sic), chora lágrimas de sangue. A grande esperança está em que “Deus é brasileiro”, segundo os nativos desta Terra de Santa Cruz.

*Economista com doutorado; é professor de economia política

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