Campo Grande, MS, registra quase 10 queimadas por dia

bombeiraBombeiros atenderam 66 casos de incêndio em vegetação entre 21 de junho e ontem, 1ª semana de inverno

Luis Vilela Assumpção / Jornal ‘O Estado’

28 de junho de 2017

O inverno começou há uma semana e os índices de umidade relativa do ar já caíram em todo Mato Grosso do Sul. Tal fator colabora para o aumento do número de queimadas que, segundo o Corpo de Bombeiros, entre o dia 21 de junho e ontem (27) foram 66 casos de incêndio em vegetação só em Campo Grande, quase dez casos por dia. No interior do Estado aconteceram 34 focos no mesmo período.

Na tarde de ontem, o Corpo de Bombeiros combateu um incêndio na Rua Barão de Itapetininga, no bairro Universitário –região sul de Campo Grande. No local, o sargento Marcus Dias informou que o terreno possuía cerca de 12 mil m² e teve aproximadamente 7 mil m² queimados, o que corresponde a mais de 60% do terreno.

Segundo o sargento, esta é a época em que mais ocorrem queimadas e a causa do fogo apenas pode ser encontrada com perícia, mas que a maioria dos casos é a população que coloca fogo em lixo ou folhas secas e acaba perdendo o controle das chamas.

Sete municípios de Mato Grosso do Sul começaram a semana com a umidade relativa do ar abaixo de 30%. Na segunda-feira, Sonora, Coxim, Pedro Gomes e Alcinópolis registraram um índice de 25% de umidade, sendo as mais baixas do Estado.

Início da semana foi marcado por baixas temperaturas em algumas cidades de MS

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão Filho, todas as regiões do Estado estão em estado de atenção, com valores entre 25% e 23%. A tendência segue com redução no decorrer da semana, podendo atingir valores abaixo de 20%, o que significa 40% abaixo do ideal para a saúde.

O início desta semana também foi marcado pelas baixas temperaturas em algumas cidades sul-mato-grossenses, a menor temperatura registrada foi em Maracaju, com 10,2°C, seguido de Bela vista e Amambai, com 11,2°C.

“Em Campo Grande não chove desde o dia 19 de junho. A massa de ar seca segue ganhando força em razão do centro de alta pressão atuando no centro do país, mantendo a atmosfera estável, forçando o ar de cima para baixo, não permitindo a formação de nuvens e reduzindo a umidade. Isso ainda garante para esta semana tempo claro e poucas nuvens, nevoa seca e umidade baixa”, explica o meteorologista da Estação da Uniderp.

Natálio Abrahão informou que a mudança esperada só deve ocorrer a partir dos dias 4 e 5 de julho, quando haveria um aumento de nuvens e chance de chuvas bem isoladas e fracas na Capital.

Com as temperaturas nas manhãs frias e calor na parte da tarde, influenciando a chamada amplitude térmica (diferença entre a máxima e a mínima), quanto maior esta diferença, mais danoso é para a saúde humana.

Clima seco facilita surgimento de infecções respiratórias na população

A médica pneumologista Andréa Cunha explica que, com o clima mais seco, as secreções nas vias respiratórias tendem a ficar mais ressecadas, facilitando que as infecções respiratórias aconteçam.

“Pode aumentar a quantidade de infecções virais e bacterianas e exacerbar sintomas de quem tem rinite, bronquite crônica, asma, enfisemas, ou crianças e adultos mais sensíveis a variações podem apresentar tosse, sequidão nos olhos, irritação na garganta, nariz e olhos, cansaço e falta de ar”, conta a médica.

A médica fala também sobre os fatores de inverno que agravam os sintomas respiratórios da população. “São três fatores: o frio do inverno, o clima seco e as fumaças. Todos podem ter esses sintomas, mas crianças, idosos e alérgicos crônicos tendem a sofrer mais. A recomendação é se hidratar bastante, lavar o nariz com soro fisiológico, em torno de quatro vezes ao dia, e, para aqueles que têm doenças respiratórias, é preciso fazer tratamento de proteção com seu médico. Atividade física também é interessante, desde que seja feita em horário no qual o sol é menos forte”, pontua. (LVA)

queimadaCorpo de Bombeiros usou abafadores para apagar fogo em área de 12 mil m² no bairro Universitário, na Capital (Foto: Valentin Manieri)

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