A penalização costumeira do assalariado brasileiro

assalariados

11/05/2017

gerson-de-melo-martinsGerson Luiz Mello Martins* / Jornal ‘O Estado’

Eventualmente se pode fazer uma pausa nas reflexões sobre jornalismo, sua produção, sua veiculação, suas dificuldades, suas potencialidades, pela crítica ou pela construção para tratar de temas que são contundentes para a sociedade e de interesse geral da população. Nestes tempos obscuros, quando imperam os mandos e os desmandos de estranhas criaturas da noite, como Nosferatu ou mesmo as bruxas dos cabelos grisalhos, e ainda grupos que atuam, preferencialmente, na calada da noite para mudar os rumos da sofrida população brasileira.

Cotidianamente as pessoas visualizam e ouvem que o país está em crise e há necessidade imediata de cortar custos. As empresas, instituições e mesmo os governos, em muitos setores, executam a receita, ou seja, cortam custos (e também cortam investimentos) com a precarização dos serviços, a precariedade dos produtos e a dispensa de recursos humanos. Nesse contexto todo, somente os assalariados são os mais penalizados. A despeito de alguma ação efetiva dos segmentos da classe trabalhadora, não haverá reajustes salariais nos próximos 20 anos. De outro lado, a indústria, o comércio, a agricultura e a classe política não obedecem a essa mesma regra, essa mesma diretriz. Pelo contrário, há informações de aumentos salariais, muito superiores aos índices de inflação, para a classe política e o aumento das receitas no setor rural. Pode-se perguntar, então, que crise é esta em que há um crescimento das receitas no setor rural, no setor bancário, na indústria e também no comércio?

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Se a crise, de fato, se alastrar entre os assalariados, se não houver reajustes salariais, recomposição dos salários, em curto prazo afetará o comércio e depois a indústria. Se o assalariado diminuir seus gastos no supermercado, não porque precisa cortar custos, mas porque não tem salário para comprar; diminuir seus gastos nos shoppings e outros setores do comércio, aí sim o comércio sentirá a crise e deixará de comprar da indústria, a qual terá apenas a classe política e seus programas de incentivos e o setor bancário para se manter.

Sem qualquer dúvida, penalizar o assalariado é um “tiro no pé”! Sobrará, como aconteceu ao longo da história, a classe política e o setor bancário que sugará os últimos centavos do assalariado, impõe sacrifícios e decreta o estado de servidão, a exemplo da escravidão vivida em séculos passados. Coerente e legitimador dessa situação está a comunicação, por meio de suas atividades empresariais e, por mais paradoxal que possa parecer, por meio de seus profissionais!

De certa forma a notícia, ou melhor, as perspectivas não são tão ruins. O país se tornará colônia, novamente, só que desta vez das nações do Hemisfério Norte. Embora a perspectiva de colônia seja interessante, do ponto de vista do idioma, ela não é boa do ponto de vista da exploração dos recursos humanos e da exploração de matéria-prima. A nação preponderante age como parasita, como vampiros que sugam as energias, riqueza e o próprio sangue das pessoas. Não há colônia que se torne integrante do seu padrinho. O padrinho se cerca de muros para que os colonos não acedam suas riquezas.

A penalização do assalariado, portanto, repercutirá – por mais que o sistema perpetue a manutenção da classe política exploradora– na estrutura do comércio, da indústria e da agricultura. E é interessante como os indivíduos das forças de segurança não percebem isso, assim como também os indivíduos que, em tese, deveriam representar a sociedade na administração de um país.

* Jornalista e pesquisador do PPGCOM e Ciberjor UFMS

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