Conjuntura nacional

Conjuntura Brasileira

10/04/2017

Landes PereiraLandes Pereira* / Jornal “O Estado MS”

Conjuntura nacional é o entrelaçamento de todos os fatos em um determinado momento histórico. Não há como isolar acontecimentos ou consequências, a não ser como faziam os economistas no século passado ao usarem o conceito de ‘ceteris paribus’ (afirmando que os demais itens permaneciam constantes) em suas análises. Não há como isolar fatos locais do contexto globalizado sob pena de se perder em tapa-buracos e nepotismos municipais enquanto o mundo avança celeremente.

De nada adianta condenar a corrupção dos petistas se não fizer o mesmo com a corrupção das demais facções partidárias. É quase impossível avaliar as obras paralisadas da prefeitura sem olhar para os “elefantes brancos” estaduais e federais, isto porque o mundo está globalizado, mesmo que Donald Trump não acredite.

Como isolar a midiática “operação carne fraca” desencadeada pela Polícia Federal dos efeitos decorrentes nas áreas econômica e social? Ou como descolar a corrupção de uma “quadrilha de fiscais agropecuários” da corrupção política que grassa no Congresso Nacional uma vez que o próprio ministro da Justiça, deputado Osmar Serraglio, é um dos protetores do grupo? Fiscais cobravam propina, o que caracteriza corrupção, para favorecer poderosas empresas enquanto as autoridades superiores faziam vista grossa. O fiscal denunciante do esquema afirmou que o ministro da Agricultura há muito sabia da existência dos desmandos administrativos nos frigoríficos.

Então chegou a vez de os policiais, desastradamente, transformarem um fato administrativo em um caso de saúde pública, causando avarias no sistema de exporta- ções de carne. A operação atingiu os produtores rurais e a população em geral. Os beneficiários foram as emissoras de rádio e televisão que receberam uma enxurrada de longos anúncios explicando o inexplicável.

O governo, ao invés de tomar providências saneadoras nas áreas políticas da Agricultura e da Justiça, reforçou as verbas de propaganda. Os marqueteiros aproveitaram para melhorarem a imagem de Michel Temer sem que a oposição protestasse, uma vez que ele estava defendendo a carne brasileira na mídia televisada.

 A resposta do mercado internacional foi rápida: vários países anunciaram retaliações às importações de carnes brasileiras, para logo em seguida voltarem atrás, não sem antes tirarem vantagens comerciais. Algumas autoridades, displicentemente, comentaram que isso era transitório e que tudo voltaria ao normal. O estrago foi grande e levará alguns anos para voltar ao que era antes. Blairo Maggi, com o aval de Henrique Meirelles (ex-presidente do Conselho de Administração da holding J&F), anunciou o auxílio de R$ 1 bilhão para os frigoríficos.

E o que falar a respeito das consequências econômicas e sociais decorrentes do mensalão, do ‘petrolão’, da privataria e demais focos de “corrupções” que aconteceram (e continuam acontecendo) nos últimos trinta anos, initerruptamente? Isto, sem incluir as desastrosas “reformas políticas” que aconteceram no mesmo período e que ora patrocinam a reforma trabalhista e a reforma da previdência.

Também não há como desvincular as mordomias e os desvios econômicos existentes nos privilegiados estamentos políticos da crise econômica que solapa a vida dos brasileiros. E a solução vislumbrada pelo Ministério da Fazenda é a extinção de algumas conquistas conseguidas pelos trabalhadores, além de ameaçar com novos aumentos de impostos. E para mostrar que não está brincando, o representante dos banqueiros tirou o incentivo fiscal de alguns grupos de empresas.

Assim Pindorama não aguenta.

*Economista com doutorado; professor de economia política

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