Cientista de MS redescobre macaco ‘fantasma’, que não era visto havia 60 anos

macaco prehistóricoPithecia vanzolinii – Registro foi feito de forma ocasional – 

07/04/2017

Daiane Libero / Midiamax

O macaco Parauacu de Vanzolini, cujo nome científico é Pithecia vanzolinii, acaba de ser redescoberto por uma equipe de pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Há mais de seis décadas desaparecido, o animal foi registrado no extremo oeste do Acre, quase na fronteira com o Peru e divisa com o Amazonas, mais especificamente na Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade. Quem encontrou o macaco foi o doutorando em Ecologia e Conservação André Valle Nunes, e o doutorando da USP (Universidade de São Paulo) José Serrano-Villavicencio.

“O registro aconteceu ocasionalmente. Não trabalho especialmente com primatas e estava tomando dados para o meu Doutorado – “Populações tradicionais, cães domésticos e a coexistência com mamíferos silvestres em uma reserva extrativista na Amazônia” – quando, ao voltar da mata para a vila de ribeirinhos fui chamado para ver o animal caçado por um ribeirinho, e logo reconheci ser o Parauacu de Vanzolini”, explica André. Juntos, eles publicaram, em fevereiro, a redescoberta da espécie em artigo no “Check List – The journal of Biodiversity Data”.

O último registro havia sido feito há 61 anos pelo ornitólogo Fernando da Costa Novaes e pelo taxidermista M. M. Moreira, ambos os pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi. Em 2014, a pesquisadora americana Laura Marsh havia revalidado a espécie – até então considerada subespécie do gênero Pithecia. “Tirei foto, coletei crânio e pele, e então fiz contato com um colega taxonomista do Museu de Zoologia da USP, José Serrano-Villavicencio. Ficamos encantados com a espécie que há 61 anos não recebia registro de especialistas”, completa o doutorando.

Para André, o artigo tem como principal objetivo chamar atenção dos conservacionistas para a espécie, para que possam ocorrer novos estudos na região. “Essa redescoberta mostra que o Parauacu de Vanzolini persiste, pode ser encontrado na natureza, e que a comunidade científica deve estar atenta”. Muito pouco é conhecido sobre a biologia da espécie, considerada como ‘dados deficientes’ (DD) segundo os critérios da União Internacional para Conservação (IUCN).

Este é o quinto registro do Parauacu de Vanzolini desde 1956. “Fiquei muito feliz com a redescoberta, que também funciona como um incentivo para se fazer pesquisas em regiões que são sub-amostradas na Amazônia”, acrescenta André. O animal é chamado de fantasma pelos ribeirinhos, por ser muito ágil e difícil de caçar.

(Com informações da UFMS)

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