Existe ainda jornalismo, periodismo, newspaper, giornale?

Jornalismo-Origem17/03/2017

Gerson Luiz Mello Martins* / Jornal “O Estado”

gerson martinsEsta famigerada pergunta se fazem todos os dias, nos últimos tempos, os próprios jornalistas, aqueles que trazem a ética jornalística sob seus teclados, os professores de jornalismo, os pesquisadores de jornalismo, enfim, toda a população.O “jornalismo” que temos cotidianamente parece ser tudo, menos jornalismo. O jornalismo correto, sério, ético requer isenção, multiplicidade de fontes, multiplicidade de versões, uma apuração rigorosa, isenta, uma checagem nos locais de difusão das informações e não em gabinetes diante de computadores, exclusivamente, ao lado dos telefones, mas na rua, onde surgem as informações, que serão traduzidas em informação jornalística.

O que se vê, se lê, e se ouve todos os dias na mídia são informações parcializadas, que atendem interesses partidários, que atendem grupos econômicos, que atendem e bajulam a classe política, de onde a mídia em geral obtém sua sustentabilidade.

É um contrassenso e um caminho equivocado. Os jornais, assim como afirmam as frases publicitárias, deveriam ter compromisso com o leitor, com a sociedade. O chamado quarto poder se constitui a partir do momento em que defende a sociedade e contribui para o desenvolvimento social. Fora disso, se torna um vassalo do poder político e do poder econômico.

A mídia em geral deve ser sustentada pelo leitor, pela sociedade, jamais pelos políticos. O que se lê, se ouve ou se assiste nos tempos atuais é uma famigerada forma publicitária travestida de jornalismo. Tem o nome jornalismo, mas não passa de uma vil, lamentável e precária publicidade. Os profissionais da publicidade devem se enojar com a situação, pois o que se vê, se ouve ou se lê é um engodo, também, de publicidade, mas está mais para publicidade que para jornalismo. Assistir, por exemplo, ao telejornal “Bom dia Brasil”, da TV Globo, é ver a apresentadora como porta-voz oficial do governo federal.

Temas contundentes para a sociedade fazem a pauta publicitária do jornalismo atual. A reforma da Previdência, do ensino médio, as operações policiais para coibir a corrupção, entre outros, são temas tratados como boletim oficial do governo e só mostram um lado da informação, escondem dados importantes para que a população possa compreender a questão e agir no sentido de aprovar ou reprovar tais medidas. De outro lado, políticos que menosprezam seus eleitores agem de forma a obter visibilidade midiática sem se importar com o bem-estar da sociedade e, principalmente, daqueles que os elegeram. Perguntem ao deputado Marun se ele está preocupado com o bem-estar da população com suas propostas para a reforma da Previdência! O discurso desse parlamentar é puramente midiático, inclusive sua performance que concorre diretamente para uma vaga no BBB 18!

O jornalismo, o periodismo, o giornale, o newspaper parece que morreu, desapareceu das telas dos aparelhos de TV, dos microfones das emissoras de rádio, da tela dos computadores, por meio dos cibermeios jornalísticos ou das folhas do jornal impresso. O que se percebe é que há de tudo, menos jornalismo. As profecias de Philip Meyer parecem que se ampliaram: em vez de desaparecer os jornais, o que desapareceu, morreu, foi mesmo o jornalismo! Esta reflexão parece muito contundente, mas é importante que o leitor faça suas próprias considerações do que vê, lê e ouve nos jornais. Uma reflexão séria, equilibrada e isenta. Verifique se as afirmações aqui publicadas estão muito distantes da realidade!

*Jornalista, radialista e escritor

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