Não se pode calar a voz da Literatura, diz presidente da UBE – MS

ubeExtinção da disciplina de literatura na rede estadual gera repúdio de escritores de Mato Grosso do Sul. Diz Ana Maria Bernardelli, presidente da UBE-MS (Foto: Marco Miatelo).  

DIÁRIO DIGITAL

Valdelice Bonifácio | Segunda, 13 de Fevereiro de 2017  

A resolução da Secretaria Estadual de Educação (SED) que integrou o ensino de literatura ao de língua portuguesa, é alvo de repúdio de escritores locais que não concordam com a extinção da disciplina. A União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS) encabeça um abaixo-assinado online contra a medida que já tem várias adesões. “Não se pode calar a voz da literatura. O que estão fazendo é dar um espaçozinho à matéria, desmerecendo a importância dela na formação dos nossos alunos”, analisa a presidente da UBE-MS Ana Maria Bernardelli.

A polêmica resolução de número 3.196 foi publicada em Diário Oficial no dia 31 de janeiro de 2017 visando a “organização curricular e o regime escolar do ensino fundamental e do ensino médio nas escolas da Rede Estadual de Ensino […]”. Com a nova grade, as duas horas semanais antes dedicadas à literatura serão anexadas ao ensino de língua portuguesa e matemática, disciplinas que passarão a ser ministradas quatro vezes por semana, em vez de três. Pelo planejamento da SED, os conhecimentos e saberes da língua portuguesa serão integrados à literatura.

Porém, na avaliação da presidente da UBE-MS, que é professora aposentada de produção de texto e escritora de contos e poemas, pouco sobrará para o ensino de literatura.  “O texto literário voltará a ser apenas um pretexto para o ensino de gramática. Não é que as disciplinas não possam se integrar, podem, mas o texto literário precisa ser estudado em sua amplitude e isso deixará de acontecer por falta de espaço”, analisa.

Ana Maria lamenta que a literatura esteja sendo rebaixada na grade do ensino justamente na fase da vida em que os alunos mais precisam dela que é na adolescência. “Literatura não é só o prazer de ler, mas a abertura para a reflexão sobre a realidade e aprimoramento da sensibilidade”, explica. A presidente da UBE-MS considera que o corte da disciplina de literatura tornará os estudantes da rede estadual defasados em relação aos alunos das escolas particulares. “Além disso, existe a questão da competitividade. Os grandes vestibulares do País, como o da Fuvest, por exemplo, tem vasta exigência em literatura. Como os nossos alunos se sairão bem nesta prova se estão estudando literatura de forma superficial?”, questiona.

Para Ana Maria, a nova organização da SED fará com que alunos deixem as escolas sem ter contato com obras de autores consagrados como Machado de Assis, José de Alencar, Guimarães Rosa e outros. Há ainda os escritores locais que, segundo a dirigente, perderão espaço no ensino público. Outro fato que têm preocupado professores da área, conforme a presidente UBE-MS é a falta de explicações por parte da SED. “Ao longo dos anos alguns professores se tornaram especialistas em literatura e outros em gramática. Como é que de uma canetada se muda uma situação. A nossa pergunta é como serão ocupados esses professores? Vai ter algum treinamento para preparar estes educadores para essa nova realidade?.”

Além da UBE-MS, também houve repúdio contra a resolução da SED por parte da Academia Douradense de Letras (ADL) que emitiu nota pública. Para a entidade, as artes e a literatura estão sendo desprestigiadas. “Não podemos coadunar com uma forma anônima de desconstruir o lugar de direito da Literatura no panteão do conhecimento humano e na formação com valor e cidadania que lhe é próprio”, diz, em nota, a ADL.

A extinção da disciplina de literatura também movimenta a classe política. Recentemente, deputado estadual Pedro Kemp (PT) se manifestou sobre o assunto na Assembleia Legislativa. Ele solicitou que a SED preste esclarecimentos sobre o assunto aos professores e que repense tal medida ou ao menos espere até que o assunto seja discutido com a sociedade.  SED – Por meio da assessoria de imprensa, a SED informou que deverá emitir uma nota oficial sobre o assunto ainda nesta semana. Porém, de antemão, a assessoria informou que a secretaria não está desprestigiando a literatura, mas apenas redirecionando o ensino da mesma para a língua portuguesa. A SED tem total interesse que os estudantes continuem tendo acesso à literatura.

Abaixo assinadoO abaixo assinado pode ser acessado em: 

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/34983.  Também está sendo divulgado nas redes sociais, em protesto contra a medida, a hashtag #PorUmMSLiterário.

Leia mais em: http://www.diariodigital.com.br/cultura/nao-se-pode-calar-a-voz-da-literatura-diz-presidente-da-ube-ms/154436/

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