PF prende quatro fazendeiros suspeitos de ataque a índios em Caarapó, MS

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19/08/2016

Tainá Jara / Correio do Estado

Mais de dois meses depois do assassinato do guarani-kaiowá Clodioude Aquileu Rodrigues de Souza, 26 anos, a Polícia Federal prendeu quatro fazendeiros por envolvimento no ataque a indígenas em Caarapó, distante 273 quilômetros de Campo Grande.

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da força-tarefa Avá Guarani, obteve ontem a prisão preventiva de cinco produtores: Jesus Camacho, Virgílio Mettifogo, Nelson Buainain Filho, Eduardo Yoshio Tomonaga, conhecido como Japonês, e Dionei Guedin. O último ainda não foi detido por estar viajando. Os outros estão na carceragem da PF, em Dourados.

As investigações apontam envolvimento direto dos fazendeiros com o ataque ocorrido no dia 12 de junho e podem incorrer nos crimes de formação de milícia privada, homicídio, lesão corporal, constrangimento ilegal e dano qualificado. Durante a realização das buscas e apreensões, uma sexta pessoa foi presa por porte ilegal de arma.

A demora das prisões acabou ocasionando desentendimento entre a PF e o MPF. O Ministério Público classificou o tempo de espera como “injustificado”.

No dia 12 de junho, índios da comunidade Tey Kuê, da etnia Guarani-Kaiowá, ocuparam a Fazenda Yvu, que incide sobre a Terra Indígena Dourados Amambaipeguá. Diante da situação, os fazendeiros presos e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, organizaram-se para expulsar os índios à força. Durante o ataque, além do assassinato de Clodioudi, ficaram feridos por bala um menino indígena de 12 anos, além de outros quatro indígenas.

***

Defesa de fazendeiros diz que prisão é desnecessária e irá pedir revogação    

defesa de fazendeiros
 Conflito aconteceu em junho passado, em Caarapó, MS – Valdenir Rezende / Correio do Estado                  

Mandados de prisão foram cumpridos em razão de confronto com indígenas

19 AGO 2016

Por GLAUCEA VACCARI / Correio do Estado

Proprietários rurais presos em cumprimento de mandados de prisão na área de conflitos com indígenas foram identificados como Jesus Camacho, Virgilio Mettifogo, Eduardo Yoshio Tominaga, Nelson Buainain Filho e Dionei Guedes.

Mandados de busca e apreensão e prisão foram expedidos pela Justiça Federal de Dourados e estão relacionados com confronto entre produtores e indígenas que aconteceu em junho, em Caarapó. Determinações foram cumpridas pela Polícia Federal.

Advogado que representa Camacho, Mettifogo e Tominaga, Felipe Cazuo Azuma, disse ao Portal Correio do Estado que está providenciando pedido de revogação da prisão preventiva e, em último caso, deve tentar um habeas corpus para os clientes.

Ele assumiu o caso hoje e informou que ainda não conhece o processo na íntegra e está se inteirando dos fatos.

“De antemão eu posso dizer que é uma prisão desnecessária, porque todas as vezes que eles foram chamados a prestar depoimento, eles foram de livre e espontânea vontade, sem condução coercitiva”, disse o advogado.

Ainda segundo Azuma, todos já prestaram depoimento e estão em cela da Polícia Federal de Dourados.

CONFRONTO

No dia 12 de junho, índios da comunidade Tey Kuê, da etnia Guarani-Kaiowá, ocuparam a Fazenda Yvu. No dia seguinte, agentes da Polícia Federal foram notificados da ocupação por fazendeiros que os levaram até o local. Os policiais não encontraram reféns e foram informados pelos indígenas de que o proprietário poderia, em 24h, retirar o gado e seus pertences do local. Sem mandado de reintegração de posse, os PFs retornaram a Dourados.

Os proprietários rurais que foram presos hoje e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, se organizaram para expulsar os índios do local em 14 de junho. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os índios, com auxílio de uma pá carregadeira, e começaram a disparar em direção à comunidade.

De um grupo de 40 a 50 índios, oito ficaram feridos e Clodioude Aquileu Rodrigues morreu. Dos indígenas feridos, um deles continua internado.

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