‘El País’ cita Weber e Maquiavel para explicar impeachment de Dilma Rousseff

dilmaReportagem fala sobre relação de Dilma com Comissão de Direitos Humanos

12/8/2016

Jornal do Brasil

Matéria publicada nesta quinta-feira (11) no jornal espanhol El País conta que desde 1513 quando Nicolau Maquiavel escreveu o livro O Príncipe (em italiano, Il Principe) princípios morais e os princípios que regem a luta pelo poder passaram a ocupar diferentes prateleiras na gaveta da política.

Quatro séculos mais tarde, surge o alemão Max Weber, importante sociólogo, jurista, historiador e economista alemão foi considerado um dos fundadores do estudo sociológico moderno, especialmente nas áreas da religião, política, administração pública (governo) e economia. Para o filósofo alemão, a ética da responsabilidade é predominante no campo da política. Se por um lado o divórcio entre política e ética já estava previsto desde o século XVI, a história nos ensina que não existe tal divórcio entre a política e a ironia. Vale lembrar a rejeição de Ronald Reagan como protagonista de “The Best Man”. A resposta dos produtores do filme era que Reagan não tinha a aparência de um presidente.

Texto do El País fala sobre moral e ética que regem a política

O texto do El País fala que o casamento mais recente entre a política e a ironia ocorreu em 10 de agosto no Brasil, quando os congressistas do Partido dos Trabalhadores solicitaram medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para deter o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Para muitos, impeachment ou qualquer alternativa que atenda Michel Temer e o seu partido significa um revés para a frágil democracia brasileira e, acima de tudo, para a luta contra a corrupção. No entanto, alguns acreditam que o Partido dos Trabalhadores está politicamente equivocado, em sua ética e falta de coerência disfarçada de ironia.

Em abril de 2011, El País lembra que o Brasil lançou uma verdadeira guerra contra a mesma Comissão, em retaliação a medidas que o organismo internacional que havia recomendado suspender a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Esta é uma obra faraônica em plena Amazônia, que Dilma apoiou quando era ministra de Minas e Energia e, segundo a Comissão, comprometia a vida e a segurança de vários povos indígenas. Na sequência do parecer de medidas de precaução, Dilma congelou as contribuições do Brasil junto à OEA, retirou o embaixador Permanente da Organização e adiou a nomeação de Paulo Vannuchi à Comissão.

Dois meses após a opinião fatídica de medidas de precaução, o Conselho Permanente da OEA criou um grupo de trabalho cujo objetivo era passar a conta à Comissão por decisões consideradas inaceitáveis por alguns países. As críticas do órgão de direitos humanos eram velhas e estavam sendo repetidas por Rafael Correa, Hugo Chávez e outros presidentes e chanceleres do coro ideológico da ALBA. Mas não foi o peso diplomático do Brasil e a reação virulenta de Dilma, a razão pela qual a Comissão não tinha atravessado a tempestade diplomática que caracterizaram como “processo de fortalecimento do sistema interamericano” entre 2011 e 2013. Os efeitos desta tempestade pode ser sentido agora, com uma Comissão que está em profunda crise financeira, afirma El País.

Após o encerramento formal de “processo de construção”, em março de 2013, o Brasil manteve uma atitude passivo-agressiva contra a Comissão, acrescenta o periódico espanhol. As contribuições voluntárias para a agência foram interrompidas e a obrigatória do fundo regular das contribuições da OEA ficou em atraso por dois a três anos seguidos. Enquanto o Azerbaijão fez uma contribuição financeira para a Comissão em 2011, a última vez que o Brasil fez foi em 2009.

El País conclui que felizmente, para a presidente brasileira, a Comissão decidiu agir pelos termos da lei e não pela retaliação. Para a infelicidade dos brasileiros que lamentam o declínio moral de um governo liderado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e que consideram o afastamento de Dilma Rousseff uma atitude contra a democracia.

Sua atitude só confirma o ensino de Weber em sua famosa “1919 lecture“, a quem aspira ao poder na política; ao poder como resultado de meios para outros fins (idealistas ou egoístas) ou o poder pelo poder, para desfrutar a sensação de prestígio que confere”.

 > El País La última apuesta de Rousseff contra el ‘impeachment’

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