Festival de Bonito proporciona inclusão por acessibilidade

Festival de BonitoO projeto ‘Art Unseen’ propõe imprimir obras de arte em 3D para que pessoas com deficiência visual vivenciem as artes (Foto: Indigogo)

25 de julho de 2016

Elusa Prado / Jornal ‘O Estado’

Quantas vezes você já se sentiu “tocado” por uma obra de arte? Ou ouviu algo tão extraordinário que te trouxe lágrimas aos olhos? Sim, a arte tem este poder, é de sua natureza causar emoção nas pessoas, sejam elas agradáveis ou não. O que nem sempre lembramos é de que nem todos têm acesso a ela por meio dos sentidos. Se você está lendo esta página, é porque consegue ver, enquanto segundo a Organização Mundial de Saúde, existem 39 milhões de cegos no mundo. Destes, 6 milhões são brasileiros.

Graças à impressão 3D, pela primeira vez, muitos deficientes visuais estão sendo capazes de vivenciar a arte por meio do toque. O projeto Unseen Art, c r i a d o p e l o designer Marc Dillon, está utilizando a impressão 3D para levar pinturas clássicas às pessoas com deficiência visual. Uma pessoa que sempre ouviu falar do sorriso da Mona Lisa, mas nunca teve a oportunidade de saber quão agradável é, agora pode sentir com os dedos por meio da tecnologia.

Mas esta não é a única forma de incluir os deficientes visuais na vivência artística. Temos uma louvável iniciativa aqui mesmo, no Estado.

O Festival de Inverno de Bonito deste ano traz para sua 17ª edição, pela primeira vez, recursos de acessibilidade, como audiodescrição, textos em braile e tradução em Libras.

A Exposição de Artes Plásticas “Série Divisão de Mato Grosso”, de Humberto Espíndola (MS), proporciona no dia 28 de julho, das 17h30 às 22h, a descrição das obras em braile. Para quem não souber ler em braile vai haver monitores para fazer a audiodescrição ao vivo. Serão duas audiodescritoras: Ivone Angela dos Santos, da Sectei (Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação), e Cândida Alves, do CAP-DV/MS (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual).

Segundo a especialista em acessibilidade cultural e técnica da assessoria de Projetos da Sectei, Ivone Angela dos Santos, a audiodescrição é um recurso de acessibilidade que transforma imagens em palavras, por meio de informação sonora, para que pessoas com deficiência visual possam ter acesso aos bens culturais, o que acarreta na inclusão deste público e auxilia também pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos.

Programação também contará com tradução em Libras para alguns eventos

Na edição deste ano do festival também haverá tradução em Libras para alguns espetáculos e eventos: no dia 29, das 14 às 18h, na exposição de artes plásticas com obras de Humberto Espíndola; no dia 30 de julho, às 10h, no teatro infantil “Gaia, a Mãe Natureza”, do Grupo Casa (MS); no dia 30 de julho, às 17h, no teatro “Uma Moça da Cidade” (MS), dos produtores e atores Anderson Bosh, Luciana Kreutzer e Yago Garcia, e no dia 30 de julho, às 17h30, na oficina de Contação de Histórias.

As intérpretes de Libras são Luciane Gonçalves da Rosa Parreira e Tamires Bessa da Silva, do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS).

Para Ivone, este será o início de grandes mudanças em benefício da acessibilidade cultural, considerando que o Estado possui 526.979 mil pessoas com algum tipo de deficiência, ou seja 21,5% da população sul-mato-grossense, conforme dados do IBGE/2010. “É um número considerável e o Estado precisa avançar muito nessa área. A inserção desses recursos é uma forma de garantir a todos em condições de igualdade os direitos culturais e de promover o desenvolvimento social inclusivo”, comemora.

Ivone continua dizendo que, além de seguir as leis e normas nacionais e internacionais, é necessário desenvolver estratégias para que a linguagem das manifestações culturais inclua essa população como parte de seu público alvo. “Conforme a Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência de 2015, em seu capítulo 1, artigo 53, ‘a acessibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus direitos de cidadania e de participação social’”, conclui Ivone.

*****

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s