“Entre arautos e bufões: caindo na real”

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7 JUL 2016  

luiz fernando mirault pinto

Luiz Fernando Mirault Pinto* / Correio do Estado

Todo reino tem bufões e arautos. No nosso eles se julgam tão importantes que embaçam a imagem do rei. Um bufão nada mais era do que um serviçal da corte, contratado para dizer o que o povo deveria ouvir na intenção de desmistificar aquilo que ele realmente queria ouvir, por meio da “troça”, da graça, da mentira, da “joça” sendo capaz de externar as impressões reais e desanuviando as censuras do mal feito para torná-lo digerível.

Era um mero “bobo da corte” com indumentária característica, com o espalhafato das formas, cores, dos chocalhos, bonecos encimados em varas, e dos chapéus de pontas e guizos. Sem que se apercebesse, criticava as mazelas sociais isentando o rei das responsabilidades, tornando para o povo um entendimento palatável e aceito ao anunciar a verdadeira intenção dos desejos reais, antecipando as agruras a que a sociedade ficaria submetida, como o aumento dos impostos, distribuição de terras para a nobreza, cobrança de taxas aos aldeões, e demais regras a serem cumpridas pelos súditos.

Inspirava todo tipo de condescendência justo porque usava de artifícios teatrais encenando á vida real, escamoteava suas ações impróprias, e ao mesmo tempo se apresentava rindo das próprias deformidades congênitas, ou caricaturavam os monarcas, mas protegidos por outras deficiências, tidas como “loucuras”. A história registra a existência de inúmeros Truões, e suas participações nos reinos europeus e que foram imortalizados em pinturas, peças teatrais, óperas, e romances.

Por outro lado, a figura representativa do reino que fazia as proclamações, divulgava as leis, transmitia mensagens, anunciava a presença dos nobres, aclamava o rei, e verificava os títulos de nobreza, era chamado de arauto e tratava de ser o mensageiro junto aos demais reinos, externando a paz ou anunciando a guerra.

No reino “provisório-definitivo-temporário” o qual estamos vivenciando, podemos testemunhar que as figuras descritas acima compõem o cenário efervescente de desmonte político-administrativo brasileiro. Aos arautos têm cabido o anuncio das medidas econômicas estéreis, das reformas administrativas, das políticas e diplomacias externas.

No campo econômico o arauto escolhido vem repetindo a mesma receita do governo anterior e tenta incutir que seu sucesso está nas mãos dos nobres que o escolheram. As reformas ficaram a cabo da casa civil, reforçando a necessidade das mesmas de modo a garantir uma governabilidade provisória, se dizendo as mesmices sobre a aposentadoria, a liberalidade na legislação trabalhista privilegiando acordos de cunho patronal, a demissão de serviçais comissionados antevendo espaço para moeda de troca com os partidos na aprovação de medidas no parlamento.

Já na diplomacia, o arauto ex-esquerdista volta a prestigiar as relações com países cujos interlocutores representem políticas neoliberalizantes, e desdenhando aos pequenos países de viés marxista.

Importante lembrar que três arautos foram exonerados pela pratica deletéria da acusação de receberem propinas e/ou participar em conversas “sigilosas” envolvendo a intenção de barrar as investigações por meio do planejamento de um golpe, destituindo a rainha sob a acusação de ter editado leis que atentavam contra o bem estar das Guildas e Corporações de Ofício, associações de mercadores, artesões, cambistas e banqueiros, ao destinar os recursos aos aldeões e súditos desfavorecidos (a plebe).

Já aos bufões ao arremedo dos arautos, as noticias dão conta das suas participações desde suas interjeições na admissibilidade do impedimento real, no vazamento das gravações sigilosas com revelações ruidosas e confidenciais irresponsáveis, passando pelas delações premiadas onde cada qual tem seus comportamentos denunciados, e na pratica do esvaziamento na comissão do julgamento da rainha, visto já terem vendido suas convicções de culpabilidade, reforçando o plano urdido para impedir a continuidade das investigações e orientados por serviçal acusado de evadir fortunas oriundas de “espórtulas” comprovadas embora alegando acusações infundadas.

A cada dia, o reino é surpreendido pelas vilanias produzidas pelos bufões, arautos e o próprio rei-interino-provisório-definitivo também denunciado. Esse momento só se refletirá no porvir, infelizmente quando os aldeões amortecidos acordarão ao vivenciarem as agruras resultantes da admissibilidade do golpe real.

 *Físico e Administrador

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