Desinteresse de autoridades marca investigação de conflito indígena em Caarapó, MS

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Quase 48h depois da morte do agente de saúde guarani-kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 26 anos, ocorrida anteontem, em área de conflito fundiário, na Terra Indígena Dourados Amambaipegua I, em Caarapó, distante 273 km de Campo Grande, as investigações quanto às circunstâncias do fato seguem a passos lentos. Pelo menos nove pessoas ficaram feridas durante a ocupação.

Depois de relatório produzido pela Polícia Civil, a apuração está a cargo da Polícia Federal, que ainda não se manifestou sobre a situação, embora um efetivo já esteja na cidade.

Até ontem à tarde, equipes de perícia ainda não tinham sido encaminhadas para o local onde ocorreu o crime e nem mesmo o boletim de ocorrência das vítimas internadas havia sido lavrado pela polícia.

De acordo com o superintendente do Hospital da Vida de Dourados, onde estão internadas cinco indígenas feridos, até às 17 horas de ontem, nenhuma autoridade policial havia comparecido ao local. “Isto nos causou muita estranheza”, afirmou Genivaldo Dias da Silva. Representantes do Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Conselho Nacional de Direitos Humanos já procuraram a direção do hospital para obter informações.

Os feridos são: Josiel Benites, 12 anos, Valdílio Garcia, 26 anos, Jesus de Souza, 29 anos, Norivaldo Mendes, 37 anos, e Libésio Marques Daniel, 43 anos. Conforme Genivaldo, três tiveram que passar por intervenção cirúrgica, mas suas vidas não correm risco. “Todos foram atingidos por munições reais”, garante. Diante do silêncio, entidades ligadas aos direitos humanos encaminharam ao Ministério da Justiça e Cidadania, ao MPF e à PF documento cobrando providências para que a investigação seja conduzida com urgência e eficiência, além de pedir proteção dos sobreviventes e testemunhas do ataque armado.

Também por meio de nota, o Sindicato Rural de Caarapó se manifestou afirmando desconhecer que houve conflito entre indígenas e produtores rurais na última terça-feira, 14 de junho. A entidade garante que nenhum membro da diretoria participou desta mobilização.

*Ver reportagem completa de Tainá Jara com colaboração de Glaucea Vaccari e Lucia Morel na edição de hoje (16/6) do jornal Correio do Estado.

www.correiodoestado.com.br

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