‘FT’: Brasil em agonia

rio-de-janeiro-vai-sediar-em-breve-as-olimpiadas-mas-vive-momento-de-forRio de janeiro vai sediar em breve as olimpíadas, mas vive momento de forte recessão

Crise financeira e política abala fortemente Estado do Rio de Janeiro

15/05/2016

Financial Times / Jornal do Brasil

Matéria publicada neste domingo (15) no jornal Financial Times, fala sobre a crise política e financeira que assola o país. Os cofres públicos estão vazios, e os funcionários públicos do Rio de janeiro, que até certo tempo desfrutavam de certa estabilidade, agora lutam para receber salários atrasados ou tem suas pensões renegociadas para pagamentos a prazo.

Segundo a reportagem do Financial Times, foram muitos os cortes que a  a Secretaria da Fazenda foi obrigada a fazer, incluindo até na redução do número de seguranças que protegem seu edifício. “Cada dia é uma agonia”, diz Julio Bueno, secretário de finanças estado do Rio, sobre seus esforços para equilibrar o orçamento. “A única saída é o Brasil voltar a crescer”.

O jornal britânico aponta o processo de impeachment que levou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff como um fator prejudicial a economia do país. Os analistas dizem que vai demorar meses, ou até anos para se reverter o mal-estar econômico desencadeado pelo período de gestão do Partido dos Trabalhadores (PT).

O texto do Financial Times conta que um governo interino liderado pelo vice-presidente Michel Temer, foi nomeado para assumir o comando durante o afastamento de Dilma. Alguns não acreditam que Temer, um político de velha guarda, seja capaz de reanimar a economia. Mas para a maioria dos brasileiros, a mudança – qualquer tipo de mudança – não será breve. Embora se observe que a saída de Dilma valorizou moeda, o real, cerca de 11,6 por cento em relação ao dólar este ano.

Uma nação que ha alguns anos atrás, vangloriava-se de sua condição econômica em ascensão no mundo está sofrendo uma reversão impressionante. Após crescer 7,5 por cento em 2010, um ano antes de Dilma Rousseff tomou posse, o produto interno bruto no ano passado contraiu 3,8 por cento e é esperado que encolha novamente este ano. O desemprego bateu seu recorde em Dezembro de 2014, quando atingiu 10,9 por cento. Um sentimento de tristeza paira sobre o país a menos de três meses antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no estádio do Maracanã, no Rio, comenta o FT.

Se Temer estabilizar a economia antes das eleições previstas para 2018, será visto com um sucesso. O crescimento real seria um milagre. Sua capacidade de realizar reformas estruturais importantes, no que diz respeito ao orçamento do Brasil e sistema de pensões, é questionável, dada a incerteza política com parte de seu novo gabinete já implicado em investigações de corrupção, mesmo antes dele assumir o cargo na semana passada.

Wanderson da Silva Araújo está sentindo a crise profundamente. Seu “escritório” fica na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde aluga cadeiras e guarda-sóis. Para quem não entende do assunto, parece um dia ensolarado como outro qualquer, mas ele aponta para os corpos esticados na areia e diz:  “Alguns anos atrás, eles teriam alugado cadeira e guarda-sol”.

Como a recessão profunda atual, os banhistas em Rio estão gastando menos, diz ele que está pensando em virar motorista de táxi pela empresa Uber para sobreviver. “Desde o início do ano tem sido muito difícil”, acrescenta.

Ele culpa principalmente o governo por sua má gestão da economia, bem como a desaceleração da demanda chinesa por commodities brasileiras. No entanto, o Sr. da Silva Araújo reconhece que a corrupção e a injustiça não se limita ao PT e nem aos políticos. “É difícil fazer as coisas pela lei no Brasil.”

A crise começou conforme foi diminuindo o consumo de crédito promovido pelo antecessor de Dilma, fundador do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, durante seus oito anos no poder até 2010. No momento da posse de Dilma em 2011 , as famílias brasileiras já estavam mergulhadas em dívidas, deixando em péssima situação os dependentes do chamado “supercycle de commodities”, que alimentou o crescimento durante os anos anteriores, quando Lula estava no poder.

Dilma tentou conter a desaceleração, mantendo as torneiras fiscais aberta. O Congresso a acusa de tentar disfarçar sua generosidade, colocando parte da despesa extra-orçamental sobre os balanços dos bancos estatais. É exatamente por este movimento que ela está sendo afastada. A estratégia falhou quando os mercados se assustaram com a deterioração das finanças públicas do Brasil.

A corrupção também desempenhou um papel enorme na falta de credibilidade dos investidores estrangeiros, dizem os analistas. Uma investigação sobre um esquema de corrupção na empresa Petrobras, envolveu grande parte dos políticos brasileiros, além de altos executivos e empreiteiros. O secretário de Finanças do Rio de Janeiro, Sr. Bueno, diz que a situação da Petrobras e suas contratadas, ocasionou a queda acentuada do preço do petróleo, e minou drasticamente a renda do estado.

Além da costa dourada do Rio de Janeiro no Atlântico em águas profundas encontram-se as plataformas de petróleo que a Petrobras estava desenvolvendo antes da crise se instalar. Os royalties do Estado do Rio de petróleo caíram  38 por cento, cerca de R $ 5,5 bilhões em 2015 em comparação com o ano anterior. O estado está sofrendo de um déficit de cerca de 2 por cento do seu PIB.

Os Estados brasileiros não podem emitir dívida e déficits de fundos sem consultar o governo Federal. Brasília, com o seu próprio déficit nacional em torno de 10 por cento, está tentando evitar um colapso ainda maior nas finanças públicas. Como outros estados, o problema no Rio é a responsabilidade com as pensões não financiadas. O Estado gasta mais com os aposentados do que com trabalhadores ativos.

Os governos estaduais são responsáveis pela saúde, educação, segurança, corpo de bombeiros e transporte. Além do Rio, São Paulo, o estado mais rico do Brasil, e a região sul do Rio Grande do Sul, estão entre aqueles que enfrentam os maiores problemas com seus orçamentos.

No Rio, a polícia não têm gasolina para abastecer seus carros, munição para suas armas e há até mesmo relatos de que eles estão economizando em papel, necessário para declarações de testemunhas, impressão de boletins e relatórios de ocorrência.

A maior parte da população do Rio diz que o governo tem sido ” ambicioso” ao gastar grandes somas para sediar as Olimpíadas ao invés de investir em hospitais.

O secretário Julio Bueno recusa-se a comentar se um governo Temer será melhor do que o anterior.

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