Os limites do governo Dilma e o assalto das elites

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e Michel Temer. Entidade empresarial estaria por trás do programa regressivo defendido pelo vice de Dilma

Ainda é preciso fazer muito por um Brasil democrático, sem fome e sem miséria. Mas a pequenez dos argumentos pelo impeachment demonstra como está viva a luta de classes

10/04/2016

Por Cristina Fróes de Borja Reis, Fernanda Graziella Cardoso e Vitor Eduardo Schincariol / Outras Palavras

22 milhões de brasileiros, 10% da população, saíram da extrema pobreza entre 2011 e 2014, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas): 3,1 milhões da região Norte, 13,8 milhões do Nordeste, 3,5 milhões do Sudeste, 1 milhão do Sul e 0,7 milhão do Centro-Oeste. Em 2014 o Brasil finalmente não estava no mapa da fome mundial da FAO.

A libertação de uma vida de privações é um direito humano fundamental, e não pode ser tratada como mera estatística. É injusto tamanho êxito ser esquecido ou diminuído por argumentos de menor relevância ou que desvelam um desprezo que não pode ser outro senão fruto de perda de espaço na luta de classes: “mas gerou inflação”, “mas não se sustenta”, “só pra ganhar votos”, “mas não ensina a pescar”, “à custa de quem trabalha de verdade”, “inclui um monte de malandro que forja dados para receber o benefício”, “mas causa desvio de verbas e corrupção”, “ainda temos muitos problemas”.

Essas reações nem fazem cócegas à retumbância social e política da redução do sofrimento de milhões de adultos e crianças, que deixaram de ter fome e saíram da miséria, atingindo, porém, uma condição melhor de vida que é ainda dezenas de vezes mais difícil do que à daquela minoria da população que detém mais da metade da riqueza nacional. Segundo dados da ONU, em 2014 os 20% mais ricos concentravam cerca de 60% da renda nacional. Outras conquistas são notáveis, como a redução da parcela da população pobre de 22,3% a 7,3% do total entre 2004 e 2014, a matrícula de 98,5% do total de crianças de 6 a 14 anos na escola em 2014, a redução significativa da mortalidade infantil e da mortalidade materna após o parto. Todas essas metas constitutivas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs).

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