A frase da Coluna da Ester no Correio do Estado

fascismo

Hermano de Melo*

29/02/2016

Penso na frase colocada hoje na coluna da Ester Figueiredo “Diálogo” do Correio do Estado e que seria de autoria de Humberto Castello Branco (ex-presidente do Brasil): “A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia”.

Isso me faz pensar no pensamento fascista que começa a pipocar mais e mais na imprensa tupiniquim nos últimos tempos. Nesse sentido, o texto abaixo reflete o que está por trás do fascismo, que tanto mal causou à humanidade:

Reflexões sobre fascismo (II) – Thomas Mann

“Que se passava, afinal? Que havia no ar? Um espírito rixento. Uma irritação aguda”. Descrição feita pelo escritor alemão em sua obra-prima, em 1924, segue atual

Publicado em 26 de fevereiro de 2016
Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A obra-prima de Thomas Mann data de 1924: “A Montanha Mágica”. Ali ele já conseguia descrever – em uma cena relativa a um sanatório para tuberculosos na Suíça – o que poderíamos descrever como clima do nazifascismo:

“Que se passava, afinal? Que havia no ar? Um espírito rixento. Uma irritação aguda. Uma impaciência indizível. Uma tendência geral para discussões venenosas, para acessos de raiva e mesmo para lutas corporais. Querelas ferozes, gritarias desenfreadas de parte a parte surgiam todos os dias entre indivíduos ou grupos inteiros, e o característico era que aqueles que não tomavam parte nos conflitos, ao invés de se sentirem desgostosos diante da conduta dos respectivos adversários ou de servirem de pacificadores, simpatizavam com a explosão de sentimentos e intimamente se abandonavam à mesma vertigem. Ficavam pálidos ou estremeciam ao ver uma cena dessas. Os olhos brilhavam agressivamente. As bocas crispavam-se de tanta paixão. Invejava-se aos protagonistas do momento o direito, a oportunidade para berrar. O premente desejo de imitá-los atormentava as almas e os corpos, e quem não tinha a força necessária para refugiar-se na solidão era irresistivelmente arrastado pelo torvelinho. As brigas por motivos fúteis, as recriminações mútuas em presença das autoridades empenhadas em reconciliar os digladiadores, mas que elas próprias caíam, com espantosa facilidade, vítimas da tendência geral para a gritaria grosseira – tudo isso se tornava frequente no Sanatório Berghof”.

Dez anos depois ele seria expatriado, após tomar uma posição clara contra o regime nazista. Confiram a reação de Mann: “Um escritor alemão, acostumado à responsabilidade através da língua, deve agora silenciar? Silenciar absolutamente perante o mal irreparável, que no meu país foi e é praticado em corpos, almas e espíritos, no direito e na verdade, na humanidade e na pessoa? Não foi possível. E assim vieram as manifestações de minha parte contra o programa nazista. Minhas posições contrárias a ele ficaram inevitavelmente claras, tendo levado ao absurdo e ridículo ato de meu expatriamento”.

No ano seguinte, 1937, o Ministério de Esclarecimento Popular e Propaganda do regime dizia que o escritor devia ser “apagado da memória de todos os alemães”.

LEIA MAIS:

Reflexões sobre fascismo (I) – Umberto Eco

Reflexões sobre fascismo (III) – Camus, Graciliano, Adorno, Fellini…

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