Sem acordo de paz, reintegração marcada para segunda pode ter conflito

índio

Vinte e três famílias Guarani Kaiowá ocupam fazenda e se negaram a sair depois de reunião (Foto: Divulgação / Cimi)

19 de Fevereiro de 2016

RODOLFO CÉSAR

Mais de duas dezenas de índios Guarani Kaiowá que estão em fazenda no município de Douradina, cidade que fica a 194 quilômetros de Campo Grande, informaram às autoridades que não sairão do local.

Há uma decisão da 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados que concede a reintegração de posse à empresa Agropecuária Helena Hossri. As ocupações foram feitas nas fazendas Coqueiro e Santa Helena.

De acordo com o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), as 23 famílias informaram que não irão sair do local. A informação, inclusive, teria sido repassada na terça-feira (16), quando representantes da Polícia Federal, da Fundação Nacional do Índio (Funai), índios e assessoria jurídica da Fazenda reuniram-se para discutir o processo de saída de forma pacífica.

De acordo com o Cimi, a PF deu prazo de 48 horas, que acabou estendido para até segunda-feira (22). Os índios refutaram a desocupação e para justificar o ato apresentaram Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação de Lagoa Rica/Panambi. Esse documento indica o reconhecimento da área como terra indígena.

Ainda o Cimi alegou que há muita tensão na região e ataques são iminentes. “Eles montaram guaritas perto do mato. Quando a gente entra pra buscar sapé, madeira, eles atacam a gente. Nós tivemos que parar de construir a ogapsy (casa de reza) por isso”, disse Ava Jeguaka Hory, uma das lideranças indígenas, via o conselho.

“Somos 23 famílias, 63 pessoas, muitas delas crianças”, detalhou a liderança Ava Jeguaka Hory. “Se por acaso eles vierem, pode ser qualquer arma pesada, a gente vai permanecer aqui do mesmo jeito”, afirmou outro líder, Kuña Hory.

ÁREA

A região onde estão os índios em Douradina vem sendo ocupada há anos e a Justiça não consegue uma trégua à situação. Em julho de 2015 houve ocupação de uma área de 75 hectares. Houve conflito na época, mas não foi o único. Em 2008, outras disputas violentas já haviam sido travadas.

O local é denominado como Terra Indígena Lagoa Rica/Panambi e teve demarcação reconhecida pelo governo federal em 2011. Depois disso, o Sindicato Rural de Itaporã entrou na Justiça Federal e o processo ficou suspenso por três anos.

Em 2014, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinou a retomada da demarcação de 12,1 mil hectares, o que ainda não aconteceu. O Cimi divulgou que os indígenas ocupam menos de 350 hectares da área pendente de homologação.

A reportagem tentou contato com a Polícia Federal em Dourados e em Brasília, mas não houve retorno. Também não foram atendidas ligações feitas à Funai de Dourados e ao Sindicato Rural de Itaporã.

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*Comentário do blog: Tudo começa de novo! Tempos de direita!

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