Florianópolis: quando o meio ambiente se torna uma questão política

floripa

Hermano Rocha de Melo*

14/02/2016

Como se sabe, Florianópolis é uma importante cidade turística do sul do Brasil. É uma ilha famosa por suas belezas naturais: rios, praias maravilhosas, águas limpas, dunas de areia e tempo ensolarado. Mais recentemente, porém, ela esteve no noticiário nacional, mas não por suas maravilhas, e sim devido ao aumento da poluição, o que assustou os turistas durante o verão e iniciou um debate público sobre o que está acontecendo com a “Ilha”. Apesar de todos os problemas ambientais, que são reais e cada vez mais prementes, há também uma disputa política acontecendo em relação às eleições de prefeito e Câmara Municipal que vão se realizar em outubro próximo no Brasil.

Mas, os problemas ambientais não são novos em Florianópolis. A ilha que uma vez tinha quase intocadas praias, agora é uma grande cidade turística. Sua população duplicou em 20 anos, crescendo de 200.000 para cerca de 400.000 habitantes. Os turistas ‘derramaram’, alcançando 1,5 milhões durante o último verão. Regiões que costumavam ser sem eletricidade, sem asfalto e sem edifícios, agora são bairros modernos.

Entretanto, este chamado progresso veio com um preço: Grandes empresas e investidores fizeram lobby para mudar as leis ambientais que protegiam as praias, os rios e a vegetação natural, para que eles pudessem construir o que quisessem em virtualmente toda parte da Ilha. Assim, desorganização e crescimento não planejado parecem ser as principais causas dos problemas ambientais que estão agora em todos os noticiários da mídia local.

Os administradores públicos locais, tais como os membros da Câmara Municipal, prefeito e governador, que agora parecem preocupados e prontos para agir, nunca estiveram, na verdade, atentos para esses problemas. A principal preocupação deles era trazer “investimentos” para a cidade e a forma de fazer isso era atrair turistas, investidores e gente para viver na ilha. Quando grandes empresas argumentavam que existiam muitas restrições ambientais para os seus projetos e que era necessário mudar as leis locais, as autoridades cediam. Sempre foi um jogo político.

Agora, por exemplo, há uma nova rodada desse jogo para ser jogada: Eleições para prefeito em todas as cidades brasileiras em outubro e cada político quer ser eleito, mesmo que os meios utilizados para realizar isso não sejam tão honrosos.

Em Florianópolis, por exemplo, candidatos de oposição ao atual prefeito decidiram que expor problemas ambientais da ‘Ilha’ durante a alta estação, quando todos os turistas estão aqui, poderia ser uma boa idéia. A poluição seria vista como falta de planejamento e investimento pela atual administração, sendo discutidas várias vezes na televisão nacional, enquanto a oposição poderia vir com idéias brandas para resolver o problema. Isso é o que aconteceu e parece que vai continuar a ocorrer ao longo deste ano como tema a ser abordado nas eleições municipais.

O fato, porém, é que Florianópolis continua a crescer e os problemas ambientais serão uma questão contínua e crescente, mas as pessoas mais afetadas por eles não serão os políticos que atualmente estão brigando para chegar ao poder municipal, mas sim aquelas que vivem na ilha e os turistas que vêm visitá-la todos os anos. Sendo assim, as autoridades públicas deveriam utilizar sua energia para corrigir os problemas de poluição atuais e planejar um crescimento sustentável para a ‘Ilha’ no futuro, ao invés de fazer promessas vazias de mega projetos que nunca irão acontecer.

Como diria Nikita Khrushchev: “Os políticos são os mesmos todo o tempo. Eles prometem construir pontes, mesmo onde não há nenhum rio”. Mas como ainda temos rios, é melhor tentar cuidar bem deles para usufruto das futuras gerações.

*Professor de Inglês, Filho e colaborador do blog “Liberdade, Liberdade”.

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